Este é um ano especial para a dança contemporânea na Cidade do Rio de Janeiro. Graças a uma ação cultural, ordenada e permanente, implantada pela Secretaria Municipal de Cultura, por intermédio do RioArte, a dança vem recebendo total apoio e encontrado espaços para mostrar novas propostas estéticas, coreografias e talentos. O Rio é hoje, sem dúvida, um pólo de incentivo à dança, uma das maiores manifestações da cultura carioca.
Este ano, a Prefeitura da Cidade ampliou – de cinco para sete – o número de companhias que recebem apoio financeiro anual, possibilitando a manutenção de um corpo permanente. Realizou o 1o Circuito Carioca de Dança, que, durante três meses, apresentou trabalhos de 22 coreógrafos, em quatro diferentes espaços e recebeu um público de 9.600 pessoas. Criou o Prêmio RioDança, além de projeto para preservar a memória dos grupos cariocas, centrado principalmente na manutenção das imagens das companhias. O Apoio à dança faz parte também do programa de Bolsas RioArte da Comissão Carioca de Promoção Cultural.
E, agora apresenta esta sétima edição do Panorama RioArte de Dança, sintonizado com as novas tendências coreográficas tanto brasileiras quanto estrangeiras. Durante 11 dias, o público terá a oportunidade de assistir 16 espetáculos (5 coreógrafos cariocas, 9 coreógrafos de outros Estados e duas companhias estrangeiras) e uma exposição que conta um pouco da história de três dos mais importantes formadores da dança contemporânea brasileira: Angel, Klauss e Rainer Vianna.
Nesta edição, contamos com as parcerias do Instituto Goethe, que promove a vinda do Ensemble Henrietta Horn e dos palestrantes da Alemanha; e da Funarte, que viabilizou o deslocamento das companhias de outros Estados para apresentar trabalhos ainda não vistos em nossa cidade.
É através dessas ações objetivas que a Secretaria traduz a política de incentivo, fomento e apoio às atividades culturais e investe para consolidar a cidade como pólo cultural contemporâneo. O Panorama RioArte de Dança é uma das vitrines dessa política.
Helena Severo
Dentre todos os artistas, os coreógrafos e bailarinos têm maior mobilidade: são nômades, mas também mônadas da sua arte. Hoje, não há quase nenhum conjunto internacionalmente conhecido no qual não estejam reapresentadas muitas nacionalidades que contribuem com impulsos culturais específicos para produções conjuntas. Assim considerados, a dança e o teatro de dança já são uma arte que integra o mundo miscigenado e imbricado de maneira inaudita as tradições, os mitos, as origens, os recursos estilísticos, as expressões, cores e figuras mais variadas que se possa imaginar. Partindo dessa premissa, podemos afirmar que cada festival de dança serve para o intercâmbio e a transmissão de informações artísticas e impulsos para novas idéias e produções.
Assim, o festival Panorama RioArte de Dança, enquanto mostra que apresenta as produções mais recentes dos universos local e brasileiro da dança bem como convida jovens coreógrafos e conjuntos do exterior, representa um caso exemplar de tais processos. Nesse encontro, o caráter de oficina e o intercâmbio de experiências estão em primeiro lugar. O Instituto Goethe do Rio de Janeiro agradece à Cidade do Rio de Janeiro, ao Instituto RioArte, à diretora artística Lia Rodrigues e às instituições locais de dança por poder participar pela segunda vez desse festival, estabelecendo vínculos com o exteriore contribuindo para a definição do perfil do evento. Para enriquecer esse encontro, convidamos a jovem companhia Henrietta Horn de Essen/República Federal da Alemanha. Promoveremos também duas mesas redondas nas quais especialistas do Brasil e da Alemanha analisarão e discutirão as possibilidades produtivas da dança e a situação da crítica da dança no Rio de Janeiro e na Alemanha, com referência à cultura política dos dois países. Em nome do Instituto Goethe, faço votos para que esse festival contribua mais uma vez para um maior intercâmbio em uma maior integração das diferentes culturas da dança.
Klaus Vetter
Desde 1992, o Panorama RioArte de Dança busca estar sempre atento ao movimento constante e dinâmico da dança e de seus criadores, suas diferentes formar de se constituir e ao surgimento de novas tendências e propostas. Assim, procurando espelhar essas transformações, o Panorama RioArte mostra, em sua formatação desse ano, criações nacionais e internacionais comprometidas com modernidade e inéditas no Rio de Janeiro. Para essa edição convidamos 5 reconhecidos coreógrafos que trabalham no Rio para desenvolver pequenos trabalhos que serão mostrados ainda em estado de pesquisa, dando oportunidade ao público de compartilhar com a feitura do inédito. A parceria com o Instituto Goethe, iniciada com sucesso na edição do ano passado com u profícuo intercâmbio, continua, trazendo uma das revelações da dança alemã e promovendo a vinda de um produtor cultural e de um critico especializado em dança. A outra atração internacional da programação é o grupo belga Les Ballets C. de la B. que traz o seu mais novo coreógrafo, Koen Augustijnen. Novas e importantes parcerias estarão sendo inauguradas com a Funarte, com o inovador FID, de Belo Horizonte, e com o Centro Cultural Gama Filho. Através delas, o Rio poderá conhecer a diversidade estética de coreógrafos e companhias de outras cidades brasileiras, e entrar em contato com uma importantíssima parte da história da dança no Brasil através da exposição Memória em Movimento: Angel, Klaus e Rainer Vianna. Teremos também o prazer de compartilhar com o público carioca a emoção de ver, no palco do Teatro Carlos Gomes, uma das grandes damas da dança brasileira: Angel Vianna. Sete anos consecutivos de um festival no Brasil é sempre um fato a ser comemorado e comprova a importância da política cultural para a dança que vem sendo realizada pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Desenvolvendo um trabalho inédito tanto por suas ações quanto por sua continuidade, essa Secretaria tem atendido as reais necessidades e especificidades dos profissionais de dança. Estar a frente da direção artística do Panorama RioArte de Dança desde sua primeira edição é um desafio e uma grande responsabilidade, que este ano pude dividir com a preciosa curadoria do pesquisador de dança Roberto Pereira. Ao longo desses anos contei com contribuições fundamentais, responsáveis pelo sucesso que alcançamos: o investimento incondicional da Secretaria Municipal de Cultura e do RioArte, o importante espaço aberto pela imprensa em seus cadernos de cultura, e a participação de bailarinos, coreógrafos e sua equipes, que, com seus trabalhos e questionamentos, ajudaram a construir esse Panorama.
Lia Rodrigues